SEPTOPLASTIA E AMÍGDALAS | A minha experiência

by - October 01, 2016


Tinha de dar entrada no hospital às 18h30 e em jejum desde as 15h: como em quase todos os hospitais, as coisas atrasam-se e só me vieram chamar ao quarto para descer para o bloco operatório depois das 21h. 

Toda a equipa médica foi super querida e amável comigo: fizeram de tudo para que me sentisse o mais calma e normal possível. A enfermeira que me colocou o soro, dizia "Agora respira fundo, que isto pode doer um bocadinho... Ai, espera, tu estás a ser operada porque não respiras bem!" e entretanto já me tinha colocado a borboleta na mão; o anestesista veio falar comigo quando eu já estava na maca mas ainda de roupa descontraída, para me colocar algumas questões e explicar o que aconteceria antes e depois de acordar; o meu médico também veio perguntar-me se estava tudo bem e garantir-me que tudo o que sofresse agora, iria compensar o meu futuro a longo-prazo (ainda estou a tentar focar-me nisso!).

Antes de apagar, as últimas coisas que me lembro são: a) as enfermeiras a colocar-me os autocolantes no peito que nos ligam a uma máquina que nos medem o batimento cardíaco e eu tentar controlar ao máximo os meus nervos com pensamentos positivos - não sei porquê, mas só me veio à cabeça eu e o C. a andar de avião, os dois sozinhos, com ele a pilotar sobre a Ponte 25 de Abril. Pode ser que um dia se realize!; b) o anestesista a perguntar-me que curso é que eu estava a tirar, se já tinha perspetivas de trabalho e depois de eu responder, me dizer "Vais começar a sentir-te um bocadinho tonta. Como uma bebedeira, já deves saber o que isso é, não é?". Eu ri-me, disse que sim e apaguei.


Acordei super tonta, tal como tinha adormecido. Sentia os olhos colados, tinha de fazer força para os abrir. Assim que consegui acordar de vez, comecei vomitar violentamente. Sangue por todo o lado, mesmo à filme de terror. Nariz e garganta cosidos com pontos internos e eu não conseguia controlar os fluxos. Tinha umas três enfermeiras à minha volta, uma mais atenciosa que a outra, a fazerem-me festas no cabelo e a dizer para eu ter calma. 
Passei a noite no recobro (em vez de ir para o quarto, como era suposto) e ocorreram mais três episódios destes. Eu só queria que me pusessem a dormir outra vez naquele momento. Soube mais tarde que a minha cirurgia teve complicações: perdi muito sangue e como foi tudo para o estômago, assim que acordei teve de sair... Não é normal isto acontecer, por isso, se alguém tiver para fazer esta operação e estiver a ler esta experiência, não se assuste! 


Tive alta na terça-feira perto das 19h30. O pós-operatório não tem sido fácil. Os primeiros dias são passados com tonturas, dores, sonolência. Dói respirar pela boca, é impossível respirar pelo nariz, dói beber água, tudo dói. De 0 a 10 (sendo esta a minha primeira experiência em cirurgias médicas e não tendo - felizmente - outra escala para comparar), classificaria este pós-operatório como um 6,5.
Ontem fui outra vez ter com o meu médico e já me tirou parte dos rolhões que me tinha colocado no nariz: é algo doloroso, também, mas que de imediato se esquece tal é o alívio daquela pressão que sentimos. Na próxima quinta-feira voltarei a ver o médico para arranjar o que falta e em princípio não precisar de o ver tão cedo!

Quick facts:

  • Desde o dia da cirurgia (segunda-feira) até hoje (sábado) já perdi 4,700kg;
  • Estou a tomar cinco espécies de comprimidos diferentes por dia - alguns mais do que uma vez;
  • Só bebo água, leite, Ice-tea e gelados Epá. Absolutamente mais nada até pelo menos à próxima segunda-feira;
  • Ainda tenho o lábio superior dormente e doem-me os dentes/céu da boca ao tocar com a língua;
  • Só ontem consegui passar mais do que 20 minutos seguidos fora da cama: tenho tido muitas tonturas e má disposição.

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