Yoki (mas que afinal era Kiko)

by - November 04, 2016

Durante toda a semana passada, sempre que ia passear o Odie dava de caras com este pequenino nas traseiras do meu prédio: um cão sem coleira mas com ar de ser "cão de casa" (com o pelo cuidado, embora muito magro).

Tentei perceber se não estaria com alguém por perto: os Yorkshires por norma são cães de companhia e, por isso, ponderei que este pudesse ser daqueles cães cujos donos deixam passear sem trela mas que à distância de um assobio voltasse para eles. Esta teoria não se veio a confirmar.
É de referir que em nenhum lado se viam cartazes do cão desaparecido, nem no Facebook, nem no site "Encontra-me", nem no site da Câmara Municipal.... Nada. Ninguém deu este pequenino como desaparecido.

Comecei a tentar aproximar-me dele: apesar de aparentar ser um cão meigo e sociável (estava sempre a meter-se na brincadeira com o Odie), tremia muito e não deixava que fizéssemos festas.
A cada dia que passava, estranhava mais o facto de um cão que (infelizmente) é facilmente comercializavel, continuar vagabundo nas ruas: comecei a levar comida do Odie para o tentar alimentar e, caso conseguisse, trazê-lo para casa para o levar ao veterinário.


Ao quarto ou quinto dia deste jogo de "brincar à apanhada" (porque sempre que eu me tentava aproximar, o Yoki - como carinhosamente o começámos a chamar -, fugia), lá o consegui trazer para dentro do prédio e, aí sim, trazê-lo para casa.
Dei-lhe comida e água, fui-me apaixonando gradualmente (porque ele começou também a demonstrar sinais de amor por mim - lambia-me as mãos, abanava o rabinho, pousava o queixinho no meu colo...) e já perdida de amores por ele, dirigi-me ao veterinário para saber se o Yoki tinha chip. Caso não tivesse, os avós do C. já se tinham prontificado para ficar com ele.

No entanto... O Yoki tinha chip. E afinal o Yoki era o Kiko, um bebé com cerca de 3/4 anos de idade e cujos donos moravam relativamente perto da zona onde ele andava a pairar há mais de uma semana.
Em meia hora vieram ter connosco ao veterinário para o vir buscar: um casal com uma miúda pequena. Nenhum dos três teve qualquer reação emotiva no reencontro com o Kiko que já estava fora de casa há dias. Fizeram-se de preocupados a perguntar onde ele andava, agradeceram secamente e ainda "ralharam" com o bichinho por este ter fugido entre as grades do portão da vivenda. Segundo eles, não foi a primeira vez que aconteceu, mas que normalmente ele costuma conseguir voltar para casa.

Fiquei de coração apertado o resto do dia e com aquele feeling de que, infelizmente, em breve algo do género voltará a acontecer. Chamei o casal à atenção para o facto de um cão de casa dever ter uma coleira identificativa - ainda para mais se estas escapadelas dele serem frequentes -, mas pareceu-me ter entrado por uma orelha a 100 e saído por outra a 1000...

Só espero que ele esteja bem, que tenha uma caminha quentinha onde passar a noite e o alimentem bem. Caso o volte a encontrar por aí, já não sei se penso duas vezes em fazer o "procedimento correto".

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