As minhas entrevistas de trabalho

by - February 03, 2017


Na minha área de formação, o mercado de trabalho até está mais ou menos a mexer... Mais não seja para estágios profissionais ou curriculares, a receber uma miséria.

Eu envio currículos e acabo sempre por obter uma resposta ou outra para uma possível entrevista. No entanto, como até agora não precisei (felizmente) de me sujeitar a trabalhar 8 horas diárias para receber o que eles chamam de "bolsa de estágio/ajudas de custo" - alimentação e transporte - que nunca são mais de 150€ mensais, nunca alinhei numa aventura dessas.

No entanto, prestes a terminar a licenciatura e já com a certeza de onde quero fazer o estágio profissional do IEFP, incomoda-me a ideia de ficar em casa sem fazer nada enquanto espero pela aprovação da candidatura de estágio - o IEFP tem demorado mais de 5 meses a aceitar as candidaturas...

O meu plano seria começar a trabalhar (mesmo que por esses 150€) nalguma empresa ou agência de comunicação para fazer currículo, ir ganhando estaleca e não estar parada em casa sem fazer nada e, assim que tivesse a aprovação do estágio, começar a trabalhar onde realmente quero estar.

Hoje fui então a uma entrevista para uma empresa que procura alguém para fazer um pouco de tudo no departamento de Comunicação, sendo que a maior preocupação deles é a revisão de conteúdos dos documentos contabilísticos (querem que alguém ponha aquilo em Português de gente).

Não foi a primeira entrevista de trabalho a que fui e por isso já sou capaz de reconhecer um mim um padrão de problemas/defeitos que eu sinto que estragam logo a cena (já fui, no entanto, selecionada para ficar com os trabalhos - mesmo com esses defeitos presentes na entrevista):

1. Sou demasiado pontual. As entidades empregadoras gostam de pessoas pontuais mas se aparecem meia hora antes da reunião marcada (como eu às vezes faço porque saio de casa bem mais cedo por ter medo de apanhar alguma confusão nos transportes), ficam a sentir-se mal por nos ter feito esperar e olham-nos com um ar de "esta miúda é estranha" ou "deve mesmo precisar deste trabalho para estar aqui tão cedo";

2. Sou demasiado sincera. Não faço o esforço de tentar agradar o entrevistador: ele faz as perguntas que tem a fazer e eu sou honesta. Não estou cá com rodeios a tentar parecer melhor do que sou porque sei que os meus defeitos mais tarde ou mais cedo vêm ao de cima: não digo o que querem ouvir; não digo as típicas frases formatadas que qualquer site da internet nos recomenda a dizer.
Graças a isto, acabo por ter um recrutador a olhar para mim com um olhar vazio e pensar novamente "esta miúda é estranha" e a fazerem-me perguntas que fogem ao guião/estrutura da entrevista e que me deixam sem pé - o que não é bom porque acabo por, novamente, dizer coisas que me podem vir a prejudicar porque estou simplesmente a ser demasiado honesta.

Isto para concluir que no final me disseram: "Para a semana dizemos-lhe alguma coisa. Por norma, as boas notícias damos por telefone; as más, por e-mail".

Estou a fazer refresh ao e-mail desde que cheguei a casa.

You May Also Like

0 comentários